Não há um justo, nem um sequer!
Desde a criação da Terra até os
dias atuais, os desígnios do coração do homem em se inclinar para fazer o mal
só pioraram. A sensação é a de que o egoísmo, a injustiça e a busca por
vantagens, continuam presentes nas relações humanas. Não é sem motivo que, em
Gênesis 8:21, o próprio Deus afirma que “[...] a imaginação do coração do homem
é má desde a sua meninice [...]”. Em outros termos, em razão da queda, a
natureza humana tornou-se inclinada ao pecado e à busca dos próprios
interesses.
Existem aqueles que buscam com
todas as forças manter-se íntegros à palavra de Deus, buscar a santificação e
agradar ao seu Senhor. Mas essa postura desencadeia uma batalha violenta entre
o nosso ego e desejos, e a firme decisão de se manter dentro dos princípios da
Palavra. Portanto, é importante entender que nessa seara não existe
super-homem, tampouco aquele que é intocável e incorruptível, porque na natureza
humana marcada pela queda está a marca indelével da inclinação para o mal.
Tanto é assim que a Bíblia é
taxativa quanto à inexistência de justos sobre a face da Terra. O apóstolo
Paulo escrevendo aos crentes de Roma, declarou o seguinte: “[...] Não há um
justo, nem um sequer” (Romanos 3:10b). E, nesse ponto, o apóstolo estava incluindo
a si mesmo. Ele continua no mesmo sentido, pontuando que “Não há ninguém que
entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se
fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só” (Romanos 3:11, 12).
Portanto, é necessário ter
cuidado e estar sempre vigilante com a natureza humana. Ela fará de tudo para
levar o homem para o caminho do mal e aprisioná-lo no meio de toda espécie de
sujidade. Nenhuma pessoa que pisa a face da Terra está imune a essa
consequência nefasta da queda de Adão e Eva no princípio da criação. Por isso,
é importante que, durante a caminhada, sempre examinar constantemente o próprio
coração, porque, cedo ou tarde, seremos confrontados com as nossas fraquezas e
injustiças.
Infelizmente, temos visto
milhares de homens e mulheres que pareciam ser exemplos de uma vida intocável,
mas que, ao final, revelaram uma vida de aparências. E, nesse ponto, precisamos
aprender com Davi. Foi um dos homens em cuja vida encontramos vários episódios
de derrapada. Como pai e marido, f alhou miseravelmente na criação dos filhos,
ao ponto de um deles abusar da própria irmã e o outro tentar dar um golpe de
Estado. Mas sabe qual era o seu diferencial? Ele não se vestia de uma
caricatura de homem correto e íntegro.
Pelo contrário, quando
confrontado com o seu pecado, dizia com todas as letras: “Contra ti, contra ti
somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista [...]” (Salmos 51:4a). Não havia
dramas, maquiagem, sujeira jogada para debaixo do tapete ou sigilo. O
diferencial de Davi não estava em uma vida sem quedas, nem em uma transparência
permanente, mas em sua disposição de reconhecer o pecado e voltar-se para Deus
quando confrontado. Ele entendia que “não há um justo, nem um sequer”.
Enfim, não viva aprisionado pela
culpa nem tente sustentar uma imagem de perfeição. Reconheça suas fraquezas,
arrependa-se de seus pecados e dependa diariamente da graça de Deus. Também não
crie para si mesmo os semideuses da política, da religião, do trabalho, do
relacionamento, das redes sociais ou de qualquer outro segmento. Ninguém deve
ser idealizado como moralmente intocável. Todos somos vulneráveis ao pecado e
precisamos examinar o coração, reconhecer nossas quedas, assumir suas
consequências e depender continuamente da graça de Deus e da ação do Espírito
Santo.
Texto:
Marcos A L Pereira
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