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A sociedade do cansaço!

  Somos a geração dos extremos. Vivemos constantemente no limite e, ao mesmo tempo, no fio da navalha. Trabalhamos como se estivéssemos nos últimos dias de nossa existência. Acumulamos bens como se um longo inverno estivesse prestes a chegar. Gastamos toda a nossa energia tentando conciliar trabalho, família, religião, lazer e felicidade. E, nessa busca frenética, o resultado não poderia ser outro senão o cansaço extremo. E o cansaço a que me refiro não é apenas o físico. Afinal, quando alguém realiza um trabalho braçal intenso, geralmente consegue repousar e restaurar as forças do corpo. O cansaço contemporâneo é, sobretudo, existencial. Isso ocorre porque vivemos em uma cultura marcada pelo esgotamento. A lógica da produtividade constante, da comparação e da autoexigência transforma o indivíduo em alguém permanentemente cansado. Trata-se de uma sociedade que valoriza o desempenho acima do descanso, produzindo desgaste físico, emocional e espiritual. É interessante notar que, ...

Senhor, ensina-nos a orar!

  A convivência dos discípulos com Jesus foi relativamente breve, cerca de três anos e meio. Por isso, não havia tempo a perder. Era necessário extrair do Mestre ensinamentos, orientações e instrumentos essenciais para a vida cristã, bem como assimilar diretrizes fundamentais para a propagação do evangelho por Ele inaugurado. Nesse convívio, cotidiano e intenso, tornavam-se evidentes atitudes das quais o Mestre não abria mão, o que naturalmente chamava a atenção dos doze. Imagine conviver com alguém que possui profundo domínio sobre determinado assunto, cujo conhecimento pode significar a diferença entre o sucesso e o fracasso. Evidentemente, toda a atenção se voltaria para o que essa pessoa faz. Jesus não apenas caminhava com os discípulos; Ele era a expressão viva daquilo que deveria continuar após a sua morte. Entre as diversas lições aprendidas ao longo dessa caminhada, os discípulos observaram uma prática constante na vida do Mestre. Não importava se Ele estava diante de u...

O perfil dos homens dos últimos dias

  Invariavelmente, somos surpreendidos pelas notícias mais aterrorizantes nos canais de comunicação e nas redes sociais. São atos tão cruéis que, se narrados fora do contexto, dificilmente alguém acreditaria que o ser humano fosse capaz de cometer tamanhos desatinos. E, apesar da grande repercussão que essas ações provocam, elas não desestimulam outras pessoas a praticarem crimes semelhantes, e, em muitos casos, crimes ainda mais repulsivos e inacreditáveis para quem os presencia ou deles toma conhecimento. Dentre as várias formas de violência cometidas nos últimos tempos, as estatísticas demonstram que as mulheres se tornaram alvos preferenciais de muitos homens. Em uma busca rápida, dados do Ministério da Justiça indicam que o início de 2026 é o mais letal da história, mantendo a média de quatro feminicídios por dia. Se esse ritmo persistir, o número de vítimas até o final do ano será alarmante. Escrevendo a Timóteo, o apóstolo Paulo apresentou uma visão profética acerca do p...

Levanta-te, Senhor!

  Quando observamos o caos pelo qual passam as nações, perguntamo-nos: onde está Deus, que não vê tantos desmandos acontecendo nos quatro cantos do mundo? Seria possível que um Deus, revelado pela Bíblia como misericordioso, benigno, compassivo e amoroso, permita que tragédias horríveis continuem a assolar as nações? Como explicar que homens ímpios governem durante décadas e pareçam sair ilesos de todos os males que cometeram? Como admitir que uma criança, que chora a ausência de seus pais mortos em uma guerra, esteja dentro dos planos do Criador do universo? Como conceber que um tirano permaneça no poder, massacrando o seu próprio povo? Não há limites para o corrupto que saqueia a sua nação? São muitas as perguntas que têm inquietado a humanidade ao longo dos séculos. O problema é que desejamos que tudo aconteça de forma imediata e conforme o nosso tempo. Não admitimos que uma injustiça permaneça sequer por um segundo diante dos nossos olhos. Somente nos satisfazemos com a justi...

Como caminhar quando o destino parece incerto?

  Manter um plano, um propósito ou uma visão pode até parecer fácil quando não se tem o vento da indecisão soprando em todas as direções. No início de qualquer jornada, somos confrontados por inquietações e dúvidas que nos cercam, pelo simples fato de que o caminho ainda não está aberto ou com uma direção definida. Nessa situação, o caminhante vai abrindo o que chamamos de “picada” no meio da mata ou do campo aberto, guiado apenas pela noção de onde deseja chegar. No mundo de GPS em que vivemos, é muito fácil ir a qualquer lugar, mesmo sem nunca ter estado lá. Mas imagine guiar-se apenas pelas estrelas, pelo sol ou pelo vento: não há muita segurança. Essa incerteza assemelha-se à caminhada dos dois discípulos no caminho de Emaús. Eles haviam presenciado o espetáculo mais grotesco da face da Terra: a crucificação de alguém que, mais do que um líder, era o seu Mestre. Eles esperaram três dias em Jerusalém para presenciar a grande promessa feita por Jesus: a de que, ao terceiro di...

Terra do Esquecimento!

  Lutamos intensamente para não sermos esquecidos; seja por parentes, amigos ou por aqueles que, em algum momento, nos admiraram e nos consideraram importantes em suas vidas. Essa necessidade de sermos vistos, reconhecidos e lembrados intensificou-se ainda mais na era da rede mundial de computadores. As redes sociais transformaram-se em um verdadeiro espelho da autoestima, ainda que, muitas vezes, sustentem apenas uma ilusão de notoriedade, efêmera e passageira. Mesmo tendo consciência dessa realidade, somos constantemente impelidos pela necessidade de estar em evidência diante dos outros. O esquecimento, ou o ostracismo, passa a ser percebido como sinônimo de uma vida não plenamente vivida. Rejeitamos a solidão, ainda que saibamos que o reconhecimento da multidão frequentemente se limita ao afago do ego, sem qualquer aprofundamento nas relações interpessoais mais significativas. Nesse contexto, a história de Mefibosete, neto do rei Saul e filho de Jônatas, torna-se particularm...

Lembra-te de onde caíste?

  Uma das maiores tragédias que pode acontecer na vida de quem serve a Deus é a ruptura no relacionamento com Ele. Mesmo que seja apenas uma pequena fissura, a comunhão se abala. É como um pai que vai viajar para um lugar distante e, ao se despedir do filho, sente um vazio e uma saudade no peito antes mesmo de iniciar a viagem. Isso ocorre porque existe um vínculo íntimo entre ambos. Mesmo que a distância seja momentânea, a sensação é de falta e de incompletude. Quando caímos em nossa vida espiritual em algum momento da caminhada, sentimos exatamente isso. Ainda que seja uma pequena rachadura nos laços que nos ligam a Deus, o sentimento que nos assola é de distanciamento. Sentimos que o Pai está longe. A Bíblia está repleta de homens e mulheres que caíram, mas que expressaram de forma visceral a necessidade de se reaproximar do Senhor. Um dos exemplos mais marcantes é o do rei Davi. Após cometer adultério e homicídio, ele continuou conduzindo sua vida e seu reino como se nada t...