O Horizonte da Vida: Para Além do Visível!
Parece que andamos meio
atordoados, atabalhoados, sem discernir bem que direção tomar. Temos a
impressão de que estamos andando em círculos, voltando sempre ao ponto inicial,
tomando as mesmas referências, agindo da mesma forma e elaborando as mesmas
interrogações. A humanidade, ao mesmo tempo em que mostra evolução em setores
econômicos, bélicos e tecnológicos, parece engatinhar em aspectos essenciais
para a preservação da raça humana. O homem se prepara para conquistar outros
planetas, enviar tripulações a outras galáxias e dominar o ciberespaço;
contudo, continua sem saber para onde está caminhando aqui na Terra.
Andar envolve decisão, direção,
rumo, orientação, maturidade e a vontade de seguir um plano previamente traçado
para alcançar o objetivo almejado. A sensação é de que estamos perdidos no meio
de um oceano, sem bússola, à mercê do balanço das ondas e do vento. Quando
Abrão saiu da casa de seus parentes, Deus não o deixou sem um norte; pelo
contrário, a ordem do Senhor era: “Sai da tua terra, do meio da tua parentela,
e vai para a terra que eu te mostrarei” (Gênesis 12:1).
O patriarca não saiu apenas por
sair, nem começou a andar apenas para mostrar aos seus parentes que era bom o
suficiente para encarar a vida sozinho. Havia um plano de Deus para ele. Quando
Deus nos criou, traçou um caminho a ser percorrido, e Sua vontade soberana é
que cheguemos aonde Ele deseja que estejamos. Deus nos deu o poder da escolha.
Podemos decidir andar ou ficar parados, avançar ou retroceder, andar
acompanhados ou seguir sozinhos, sair da zona de conforto ou permanecer nela. O
apóstolo Paulo entendia que qualquer decisão precisava passar pelo crivo da fé,
uma fé norteada por uma decisão firme, inabalável, consciente e livre de
imposições. Por isso, ele declarou em 2 Coríntios 5:7: “Porque andamos por fé, e não por vista”.
Quantas pessoas andam perdidas e
desorientadas hoje? Isso é fruto de uma vida superficial, balizada apenas em
sentimentos, interesses, opiniões alheias e impulsos. Quando Abrão decidiu sair
de sua terra, ele tinha uma orientação clara e um sonho a ser alcançado. Ele
caminhava exclusivamente pela fé. Infelizmente, em nossos dias, somos
impulsionados mais por interesses pessoais do que pelos sonhos de Deus. Pautamos
nossas decisões mais pelo lucro do que pela direção inequívoca do Espírito.
Andamos mais por vista do que por fé.
Para Paulo, a Igreja não poderia
trilhar outro caminho senão o da fé. Por quê? Porque a fé não nos deixa parar
diante dos desafios. Ela nos fortalece nos dilemas profundos, nos faz derrotar
gigantes invencíveis aos olhos humanos e nos permite ver o impossível
acontecer. Andando pela fé, concluímos que, embora para nós seja impossível,
para Deus tudo é realizável.
Quantas pessoas você já viu
pararem à beira do caminho? Muitas, certamente. Já parou para pensar no que as
levou a desistir? Com certeza, suas vidas eram pautadas apenas pelo visível,
pelo tangível e pelas certezas materiais. Elas não foram capazes de abrir mão
de interesses terrenos para alcançar algo superior. Para o apóstolo, é
inconcebível que alguém conhecedor de Cristo e do Evangelho escolha outro
caminho que não seja o da fé.
Existem apenas duas opções:
caminhar por fé ou por vista. Andar por vista é o oposto de caminhar pela fé.
Quem segue apenas o que os olhos veem chegará a lugares inóspitos e colherá
espinhos, jamais o melhor de Deus. A visão humana é limitada, mas a visão que
Deus nos dá enxerga além do aqui e agora; ela nos transporta para o eterno.
Texto: Marcos A L Pereira
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