Vejo os homens como árvores!

 

Um dos sentidos mais extraordinários que Deus nos concedeu foi a visão. Com ela, não apenas enxergamos as belezas ao nosso redor, mas também conseguimos fazer a leitura do mundo que nos rodeia. As informações que chegam ao nosso cérebro por meio da visão são espetaculares. Porém, ao nos dotar desse sentido, Deus não se limitou à visão física, capaz de captar tão somente as cores, os movimentos e a vivacidade da vida. Existe em cada um de nós a graça da visão espiritual.

Pensando em como enxergamos o mundo espiritual e a sua importância, Jesus declarou em Mateus 6:22: “A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz”. Veja que a luz, não apenas a do sol, da lua ou a gerada pela energia elétrica, adentra o nosso corpo por meio da visão. Isso significa que todo o nosso ser será iluminado, tanto física quanto espiritualmente, por aquilo que enxergamos. Entretanto, ao prosseguir sobre para onde direcionamos o nosso olhar, Jesus adverte: “Se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!” (Mateus 6:23).

Após essa introdução sobre a importância da visão em todos os seus aspectos, o que nos interessa é o milagre narrado no evangelho de Marcos 8:22-26. Quando Jesus entrou em Betsaida, trouxeram-lhe um cego para que o curasse. Como sempre fazia, Ele prontamente se colocou à disposição para restaurar aquele homem. Levou-o para fora da cidade e cuspiu em seus olhos. O estranhamento nesse episódio já começa pelo método que Jesus usou para restabelecer a visão do cego. E, como se não bastasse, o milagre não aconteceu de forma definitiva e total de imediato. Ao tocar os olhos do cego, Jesus perguntou se ele conseguia enxergar, ao passo que o homem respondeu: “Vejo os homens; pois os vejo como árvores que andam” (Marcos 8:24).

Como assim? Teria Jesus perdido os seus poderes milagrosos ao não completar a visão perfeita daquele homem de primeira? Teria Ele falhado no método naquele caso específico? Certamente não. Este episódio nos ensina lições preciosas. A primeira é que o homem não estava mais completamente cego, mas também não enxergava corretamente. E Jesus soube disso porque o homem admitiu a sua condição. Ele poderia ter omitido a verdade e, por se tratar de Jesus, dizer que estava bem. Entretanto, teve a coragem de ser sincero: “Vejo os homens como árvores”. É necessário humildade para admitir que o processo de cura ainda não terminou.

Outro fato interessante é que Jesus não abandonou o processo. Quando soube que a visão ainda não estava perfeita, impôs as mãos novamente sobre o homem. Para Ele, o processo só acaba quando estamos completamente restaurados. Se a nossa visão da glória de Deus e da nossa própria condição de pecadores ainda não está nítida, Ele continuará agindo: uma, duas, três vezes ou quantas forem necessárias, até que cheguemos à "estatura de varão perfeito".

Por fim, o milagre realizado em duas etapas nos ensina sobre crescimento. Não há dúvidas de que a nossa conversão pode ser instantânea, mas a transformação é contínua. Como diz o livro de Provérbios: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Provérbios 4:18). Não se preocupe se hoje você enxerga apenas vultos; o importante é continuar no processo. Ao final, com certeza, sua visão será plenamente restabelecida.


Texto: Marcos A L Pereira

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O que ainda me falta?

Tu me amas?

Como alcançar o favor de Deus