Jesus sabia...
Imagine conviver com alguém que
você sabe que é um traidor por aproximadamente três anos e meio. E conviver,
aqui, tem o sentido de andar com a pessoa todos os dias, comer junto, dormir e
passar vinte e quatro horas em contato. Jesus andou com aquele que seria o seu
algoz. Diz o Evangelho de João 6:64: “Porque bem sabia Jesus, desde o
princípio, [...] quem era o que o havia de entregar”.
E, se não bastasse, o traidor
enrustido ainda assumiu as finanças do grupo. Ele andava para cima e para baixo
como tesoureiro, e, de certa forma, assumiu protagonismo entre os doze
discípulos. Alguns podem pensar que, por se tratar de Jesus, o Filho de Deus,
era fácil para Ele conviver com um traidor a tiracolo. Mas a verdade é que, em
sua caminhada aqui na terra, Jesus possuía plenamente a condição humana. O
apóstolo Paulo diz: “E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo
obediente até à morte, e morte de cruz” (Filipenses 2:8). Isto é, Jesus não era
imune aos sentimentos humanos.
Porém, o que nos chama a atenção
é que, mesmo sabendo que o traidor estava ao seu lado, Jesus jamais o tratou de
forma diferente dos outros, nem o colocou em situações de menosprezo. Ele
comia, dormia e participava da comunhão como os outros onze discípulos. Em nenhum
momento Jesus aproveitou qualquer oportunidade para dar o troco em Judas, ou,
ao menos, sinalizar que ele seria aquele que o entregaria à morte. E esse fato
é importante, porque, até momentos antes da traição, o próprio Judas não sabia
que venderia Jesus por trinta moedas de prata.
Muitas vezes, antes de confrontar
alguém com seus pecados e fraquezas, é necessário acolher e demonstrar amor e
empatia por essa pessoa. O julgamento temerário apenas dificulta as coisas e,
em vez de tratarmos das feridas que já existem naquela alma aflita, acabamos
por empurrá-la para o poço da ruína, da tristeza e da morte. Judas não sabia
que iria trair; entretanto, Jesus sabia e poderia tê-lo despedido assim que
colocou os olhos nele. Ainda assim, até os dias de hoje, a atitude de Deus
continua sendo a mesma comigo e com você. Mesmo sabendo que, em algum momento,
nós “pisaremos na bola”, Ele continua nos dando atenção e segurando nossas
mãos, dizendo: “Filho, é por aqui... Não mude de lado ou de caminho, senão você
vai se arrepender”.
A traição de Judas tem muita
relação com a negação de Pedro. No caso de Pedro, ele teve a oportunidade de
ser advertido pelo próprio Mestre: “Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que,
nesta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes me negarás” (Mateus
26:34). Assim como no caso de Judas, Jesus sabia que Pedro o negaria. A
diferença não foi o tamanho do pecado, mas a atitude daquele que pecou. Judas
se desesperou e procurou a morte; Pedro, porém, entristeceu-se profundamente e
foi chorar. E a resposta de Jesus em relação à atitude de Pedro foi abraçá-lo
após a ressurreição.
Não julguemos ninguém pelos
pecados cometidos, nem pelos que ainda venham a cometer. Nossa função é imitar,
ao máximo, as atitudes de Jesus. Ele sabia que Judas o entregaria e que Pedro o
negaria, mas preferiu oferecer uma chance de arrependimento. E é exatamente
isso que Ele continua fazendo em nossos dias, sempre nos dando uma nova
oportunidade de voltar e dizer: “Pai, pequei contra ti; recebe-me novamente
como teu filho”... Jesus sempre sabe tudo sobre nós, mas, mesmo assim, nos
defende todos os dias diante do Pai.
Texto:
Marcos A L Pereira
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