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A solidão do encontro

  Jacó fugiu durante anos da fúria de seu irmão Esaú. Depois da fuga, encontrou os parentes de sua mãe, constituiu família e enriqueceu. No entanto, precisava voltar às suas origens e enfrentar as questões mal resolvidas. Foram anos de peso na alma, tristeza e solidão — um verdadeiro exílio. Ao empreender o retorno, Jacó chegou ao Vau de Jaboque. Naquele momento, compreendeu que não se tratava de um simples lugar de passagem. Ali, naquele instante e naquele lugar, estava diante da oportunidade de se desprender de tudo o que pesava sobre seus ombros. Com coragem e firmeza, ordenou que sua família e todos os seus bens atravessassem para a outra margem do rio, enquanto ele permanecia só, consigo mesmo e com o Deus de seus pais. Quando chegamos ao nosso próprio Vau de Jaboque, não há outra opção... É necessário deixar a velha roupagem, os costumes adquiridos em terras estranhas e o peso do que fizemos no passado. Sobretudo, não se enfrentam as mudanças radicais da transformação sem...

Quando o esforço não é suficiente

  Existem momentos em nossa trajetória em que sentimos ter dado o melhor de nós. Esforçamo-nos intensamente, dedicamo-nos com afinco, investimos toda a nossa energia na esperança de alcançar um resultado satisfatório. No entanto, apesar de toda essa dedicação, nem sempre os resultados se concretizam conforme o planejado. Inevitavelmente, nos deparamos com o fracasso e, por que não dizer, com o desapontamento profundo em relação àquilo que somos ou que um dia sonhamos ser. É comum sentirmo-nos como profissionais capacitados que deveriam ocupar posições de liderança. Ou, talvez, como pessoas comprometidas com o desenvolvimento intelectual e cultural, que, por isso, esperavam algum tipo de reconhecimento no meio acadêmico ou social. Contudo, os caminhos não se desenrolaram como idealizado. Essa frustração não é incomum, nem mesmo entre os mais experientes e preparados. Jesus, em certa ocasião, encontrou-se com pescadores profissionais que retornavam de uma longa e exaustiva jornad...

O que é o homem mortal?

  Quando recebemos a notícia de que um ente querido ou um amigo próximo partiu desta vida, somos tomados por uma tristeza profunda — uma dor difícil de expressar em palavras. Nessas horas, compreendemos verdadeiramente o significado da frase tantas vezes ouvida: “Só quem passou por isso sabe o que é” . Dias atrás, assisti a um documentário sobre o renomado escritor colombiano Gabriel García Márquez, carinhosamente conhecido como “Gabo”. Em determinado momento, uma repórter o questiona: “O que é a morte para o senhor?” A resposta de Gabo vem direta, sem rodeios: “Acho que a morte é uma armadilha, uma traição completa, sem nos dar escolha. E é sem o nosso próprio envolvimento. Simplesmente acontece.” Essa definição tão crua e honesta nos conduz a uma verdade essencial: a morte é, de fato, uma ocorrência inevitável — que nos alcança sem aviso, sem escolha e, sobretudo, sem consentimento. Refletindo sobre essa realidade, o salmista indaga: “Que é o homem mortal, para que te lembres...

A díficil arte de esperar!

  Gostamos que as coisas se resolvam com um clique, um telefonema, um e-mail, uma mensagem. Somos a geração da tecnologia. Não gostamos de perder tempo em nenhuma circunstância. Os grandes economistas e estadistas já colocaram em nossas mentes que perder tempo é perder dinheiro. Portanto, como ninguém gosta de perder dinheiro, corremos de um lado para o outro — mesmo quando essa correria não nos leva, efetivamente, a lugar nenhum. Ainda assim, gostamos de correr, e de preferência longas distâncias, pois concluímos que, quanto mais corremos, mais alcançaremos objetivos duradouros e grandiosos. Entretanto, o conselho do profeta Isaías vai na contramão dos ensinamentos da sociedade moderna. Para Deus, o que importa não é o quanto corremos ou caminhamos; o mais importante é correr e caminhar da forma correta, de modo que alcancemos as nossas metas. Por isso, o profeta aconselha a esperar no Senhor, o que implica aguardar o tempo de Deus para tomar decisões. Isso significa não ir al...

Semente entre pedregais

  A parábola do semeador proferida por Jesus para uma multidão que estava aos seus pés, traz lições poderosas sobre o semeador, a semente e a terra. A primeira lição é que o semeador saiu a semear. Isso significa que não teve a insubordinação do semeador a exemplo do que aconteceu com o profeta Jonas. Nesse caso, o profeta recusou a semear onde deveria, apesar de ter saído, mas sem direção e propósito. A segunda lição está relacionada com o fato de que a semente era boa. Esse fato é explicado quando, finalmente, ela produz a cem, sessenta e a trinta. Portanto, não havia nenhuma imperfeição ou infertilidade na semente que o semeador semeava. Finalmente, a lição sobre a terra. E aqui é necessário distinguir vários tipos de terra ou solo, mas quero me deter apenas na terra tipo “pedregais”. A semente ao cair nesse tipo de solo poderia imediatamente ter secado e morrido. Porém, desafiando a lógica da natureza, a semente brotou e brotou rápido. A questão aqui se resume no seguinte: ...

Dias de pelejas... Dias de vitórias!

  A sinceridade de Deus em relação a nós, que somos seus filhos, é impressionante. Em nenhum momento, e em nenhum lugar da Bíblia, você encontrará Deus nos animando com coisas do tipo: “fique tranquilo, a jornada será sempre um mar de rosas”; “não se perturbe, você nunca terá aflições, você não saberá o que é ter problemas”; “todos os teus inimigos serão destruídos antes de se levantarem contra a sua vida” ou “você vai sempre navegar em águas calmas e tranquilas”. O texto de Jeremias 1:9, começa com uma afirmação que, em um primeiro momento, parece um paradoxo. O profeta Jeremias começa afirmando: “pelejarão contra ti”. Opa, ele não disse: “jamais pelejarão contra ti”. A afirmativa de Jeremias é que as pelejas virão, são diárias, são persistentes; ou você acha que o inimigo abre mão facilmente de uma possível presa sua? Ele irá até as últimas consequências para matar, roubar e destruir. Por isso, o profeta usa o tempo futuro do verbo pelejar “eles pelejarão”. Mais cedo ou mais ta...

Navegando em águas turbulentas

  É evidente que encarar qualquer tipo de tempestade não é uma tarefa fácil, e muito menos prazerosa. A tempestade traz consigo o caos, a destruição e, invariavelmente, tiram as coisas do lugar. É um momento de incômodo não só para o corpo, mas principalmente para a alma. Jonas, o fugitivo de Deus se encontrava em um navio no meio do mar indo para bem longe. Longe de Deus, de sua missão e de sua identidade. Na verdade, a tempestade já havia iniciado no coração do profeta quando ele decidiu tomar o navio para Társis ao invés de Nínive. Mesmo com toda a agitação dentro da sua alma, Jonas decidiu se esconder de tudo e de todos e se alojar no porão do navio. Esconder-se parecia ser a tarefa mais apropriada. Há sempre a expectativa de que outros lugares, por mais escuros que sejam, nos afague de alguma maneira e nos acolha nos momentos dos vendavais. Somos humanos e em muitas circunstâncias preferimos o porão, mesmo que ele não seja o lugar mais adequado. Mas, é importante entende...