A Urgência da Hora!
Em quase todos os períodos da
história da humanidade, as urgências e as prioridades nem sempre estiveram em
consonância com aquilo que realmente importa e que, ao final, faz toda a
diferença. Os olhos humanos são atraídos por tudo aquilo que promete resolver
os problemas mais imediatos, aliviar as dores mais agudas, tratar as feridas
mais expostas e satisfazer os desejos mais insaciáveis. Afinal, por que pensar
no futuro ou naquilo que somente poderá ser desfrutado em outra vida, se a
necessidade bate à porta neste exato momento? Por que se preocupar com um
futuro no qual nem sequer sabemos se estaremos presentes quando ele finalmente
chegar?
Somos, por natureza,
sobreviventes da explosão do momento, da fagulha que se acende, mas que, em
nossa concepção, precisa incendiar imediatamente. Gostamos daquilo que nos leva
de zero a cem quilômetros por hora em poucos segundos. Nossas urgências são
classificadas, a priori, segundo uma escala estabelecida por nós mesmos e que,
em muitas situações, acaba nos conduzindo a becos sem saída.
Veja, por exemplo, a história de
um homem cuja preocupação imediata estava relacionada à abundante produção de
sua propriedade. Favorecido pelas excelentes condições climáticas e pela
fertilidade da terra, ele conseguiu uma colheita extraordinária. Inicialmente,
o desafio daquele agricultor era plantar. Para isso, conseguiu os recursos e os
meios necessários para realizar uma grande plantação.
Entretanto, após preparar o
terreno, lançar as sementes e aguardar o tempo oportuno, chegou o momento da
colheita. A urgência, então, passou a ser outra: como armazenar toda aquela
produção, uma vez que jamais havia obtido uma safra tão abundante? Ao olhar
para os seus celeiros, percebeu que eles não seriam suficientes para guardar
tudo o que havia colhido. Surgia, assim, uma nova urgência: construir celeiros
ainda maiores. Finalmente, segundo os seus cálculos, todos os problemas de sua
vida estariam resolvidos.
Depois de solucionar aquilo que
considerava urgente, ele poderia, enfim, dizer a si mesmo: “Alma, tens em
depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga” (Lucas
12:19). Quem nunca pensou em se aposentar, interromper a correria cotidiana e,
finalmente, desfrutar melhor a vida? É nesse estágio que começam a surgir os
planos para os futuros anos de descanso: viajar, morar na praia, visitar os
filhos, fazer aquilo de que se gosta, entre tantas outras possibilidades.
O problema é que as nossas
urgências nem sempre coincidem com as urgências estabelecidas por Deus. Quando
aquele fazendeiro imaginou que todos os obstáculos ao seu descanso haviam sido
superados e que, portanto, todas as suas urgências estavam resolvidas, Deus lhe
declarou: “Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para
quem será?” (Lucas 12:20).
Em outras palavras, Deus estava
mostrando àquele satisfeito e bem-sucedido fazendeiro que ainda havia uma
urgência pendente, justamente a mais importante de todas. Ele havia planejado
cuidadosamente o plantio, a colheita, o armazenamento e os muitos anos de
descanso, mas não havia preparado a própria alma para encontrar-se com Deus.
Diante disso, precisamos
perguntar: será que também não estamos demasiadamente ocupados resolvendo todas
as nossas urgências e nos esquecendo daquela que, ao final, fará toda a
diferença? É importante observar que o rico fazendeiro foi chamado de “louco”.
Sabe por quê? Porque, durante toda a sua vida, não conseguiu distinguir qual
era a sua maior urgência e tampouco percebeu que tudo que ele havia considerado
como prioridade, não poderia acompanhá-lo a partir dali.
Diante de tudo o que temos visto
e ouvido, não há sombra de dúvida: estamos vivendo a urgência da hora. E a
maior de todas as urgências não é apenas preparar celeiros para esta vida, mas
preparar a alma para a eternidade.
Texto:
Marcos A L Pereira
Instagram:
marcoslima.p
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