Da decepção à abundância: o poder de uma Palavra!
Não gostamos de sofrer decepções,
seja qual for a área da nossa vida. A decepção vem sempre carregada de
sentimentos de impotência, incapacidade, derrota e, invariavelmente, de
profunda tristeza por não termos alcançado aquilo que havíamos planejado ou
estabelecido como objetivo. Essa experiência assume uma dimensão ainda mais
séria quando somos confrontados com o fracasso justamente em uma atividade que
dominamos há muito tempo. Como aceitar um revés em algo no qual somos
considerados profissionais e, portanto, reconhecidos pela nossa competência?
Ao enfrentar esse tipo de
infortúnio, geralmente as pessoas precisam de tempo para se recompor e, em
alguns casos, passam anos tentando superar a culpa e as marcas deixadas por
aquele acontecimento. A questão é: o que fazemos quando somos decepcionados por
nós mesmos ou por outras pessoas? Há um episódio registrado em Lucas 5:1-11 que
retrata muito bem o sentimento de frustração após uma jornada longa e
infrutífera de trabalho.
Aqueles homens eram pescadores
experientes. Conheciam o lago, os melhores locais para a pesca e os hábitos dos
peixes. Entretanto, em um daqueles dias em que nada acontece como planejamos,
pescaram durante toda a noite e não conseguiram apanhar absolutamente nada.
Certamente, perguntas como estas ocupavam suas mentes e corações: "Como
vamos sustentar nossas famílias?" ou "O que teremos para comer
durante os próximos dias?". Era uma situação que produzia consequências
tanto pessoais quanto coletivas.
Felizmente, ao retornarem à praia
e se prepararem para voltar para casa, encontraram-se com Jesus. Curiosamente,
naquele exato momento, Jesus precisava de um púlpito para ensinar à multidão. E
aqui encontramos a primeira lição: mesmo cansados, abatidos e decepcionados,
quando receberam o pedido de Jesus, eles não apresentaram nenhuma desculpa. Não
argumentaram: "Mestre, perdoe-nos, mas estamos exaustos depois de passar a
noite inteira sem dormir e, além disso, não temos nada para levar para
casa." A resposta foi dada por meio de uma atitude: "E, entrando num
dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e,
assentando-se, ensinava do barco a multidão" (Lucas 5:3).
Esse episódio nos ensina que,
mesmo diante das maiores decepções da vida, precisamos permanecer abertos ao
diálogo com Jesus. Ele pode querer usar você, seus dons ou até mesmo os
recursos que possui. Enquanto você se dispõe a servi-lo, Ele trabalha em sua
vida segundo a sua vontade. Essa é justamente a segunda lição que aqueles
pescadores aprenderam. Jesus utilizou o barco para anunciar a mensagem do Reino
de Deus e abençoar a multidão. Somente depois voltou sua atenção para a
necessidade daqueles homens desanimados e disse a Simão: "[...] Faze-te ao mar alto, e lançai as
vossas redes para pescar" (Lucas 5:4).
É interessante observar que,
mesmo demonstrando certa hesitação diante da ordem de voltar ao mar, Pedro
decidiu submeter-se à Palavra de Jesus: "Mestre, havendo trabalhado toda a
noite, nada apanhamos; mas, sobre a tua palavra, lançarei a rede" (Lucas
5:5). Nesse ponto, encontramos uma verdade fundamental: eles não retornaram ao
mar confiando em sua experiência, em sua habilidade ou em sua competência como
pescadores. Voltaram porque confiaram na Palavra de Jesus.
Enfim, depois de qualquer
experiência que nos traga decepção, é necessário voltar à praia, lavar os
instrumentos de trabalho e abrir espaço no barco para Jesus. Quando a Palavra dele
governa nossas decisões, tudo muda. Foi exatamente isso que aconteceu com
aqueles pescadores. Depois de obedecerem à ordem de Jesus, "[...] colheram uma grande quantidade de
peixes, e rompia-se-lhes a rede" (Lucas 5:6). Quando Deus transforma uma decepção
em abundância, Ele o faz de forma ilimitada. Ele concede "boa medida,
recalcada, sacudida e transbordando".
Assim, a transformação ocorre quando a Palavra de Cristo se torna o
fundamento da nossa obediência, e não quando confiamos apenas em nossa
experiência.
Texto:
Marcos A L Pereira
Instagram: @marcoslima.p
Amém
ResponderExcluirBoa a palavra ...