A alegria que transcende as circunstâncias!

 

Na maioria das vezes, atribuímos a nossa alegria apenas a fatores externos. Sempre que pensamos em alegria, começamos a medir o que temos, o que possuímos e se conquistamos todos os objetivos estabelecidos. Na prática, fazemos um checklist e conferimos, item por item, aquilo que consideramos fatores preponderantes para a nossa felicidade. Se a maioria desses itens for avaliada como satisfatória, então nos consideramos realizados e satisfeitos.

Contudo, um grande problema que acompanha todos os seres humanos é o fato de que, muitas vezes, "quando temos o que mais queremos, o que temos deixa de importar". Ou seja, estamos sempre precisando de mais, em uma corrida contínua e sem fim. Como consequência, a sensação de incompletude e de falta torna-se nossa companheira diária. Subimos um degrau, mas gostaríamos de ter subido dois, três ou mais. E isso nos mantém constantemente cansados, desanimados, esgotados e tristes.

A crise da alegria que vivemos atualmente está relacionada à ideia de que, para sermos felizes, é necessário não sentir falta de nada, não enfrentar dificuldades nem passar por problemas. Entretanto, o salmista Davi vai na contramão desse pensamento ao afirmar: "Puseste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se lhes multiplicaram o trigo e o vinho" (Salmos 4:7). Em outras palavras, o salmista reconhece que o momento que vivia não era dos melhores; ainda assim, havia em seu coração uma alegria maior do que aquela experimentada nos tempos de abundância.

A questão é: como isso pode acontecer? Como ser alegre no pouco e não depender das circunstâncias? A resposta está no fato de que a verdadeira alegria não está atrelada ao que acontece ao nosso redor. E quem ofereceu um dos maiores exemplos dessa alegria que transcende as circunstâncias foi o apóstolo Paulo. Em Filipenses 4:12, ele declara: "Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda a maneira e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura como a ter fome; tanto a ter abundância como a padecer necessidade".

Para o apóstolo Paulo, é preciso aprender a viver e a conviver com todas as intempéries da vida. Isso significa demonstrar maturidade espiritual quando o nosso referencial ultrapassa as questões cotidianas ainda não resolvidas. O fato é que existem muitas pessoas que possuem abundância de bens materiais e têm tudo o que o dinheiro pode comprar, mas permanecem completamente vazias de qualquer resquício de alegria.

Enfim, em tempos nos quais a validação pessoal depende da aprovação alheia e a aparência parece valer mais do que a essência, a alegria passou a ser confundida com a capacidade de demonstrar status social. Entretanto, Deus nos convida a experimentar uma alegria que não depende do vinho nem do trigo, da pobreza nem da abundância, da solidão nem da multidão. Trata-se de uma alegria que nasce do aprendizado de viver em todas as circunstâncias, na companhia daquele que é a verdadeira fonte da alegria.

 

Texto: Marcos A L Pereira

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