A Matemática de Deus: quando menos é mais!

 

Mesmo para quem não tem muita intimidade ou facilidade com a matemática, as operações básicas (somar, subtrair, multiplicar e dividir) são velhas conhecidas, principalmente quando se trata de defender os próprios interesses. Afinal, quem fica contente em ser passado para trás quando, por exemplo, espera um determinado valor de troco e o vendedor espertamente devolve menos? Isso acontece porque, desde a mais tenra idade, somos treinados, sobretudo, a somar e a multiplicar. O mesmo não se pode dizer da subtração e da divisão.

Assim, quando somos desafiados a entrar em uma disputa na qual teremos que subtrair ou dividir de alguma forma, pensamos dezenas de vezes, quase sempre na perspectiva de como levar vantagem. O fato é que ninguém quer perder. Entretanto, quando olhamos para alguns acontecimentos registrados na Bíblia, ficamos incrédulos e nos questionamos como alguém ousou confiar na palavra de Deus, quando Ele mandava usar a subtração em vez da adição ou da multiplicação.

Um dos episódios que retratam perfeitamente como funciona a matemática do ponto de vista de Deus está registrado em Juízes 6 e 7. Nesse período, o povo de Israel estava sendo massacrado pelos midianitas. Os israelitas preparavam a terra, plantavam e colhiam; mas, quando tudo estava pronto e estocado, os inimigos vinham de repente e levavam tudo. Já na escolha daquele que haveria de livrar o povo, começou a contradição. Deus não escolheu ninguém experiente ou influente. O escolhido foi um homem chamado Gideão que, ao ser apontado como líder para a batalha, argumentou: “Ai, Senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai” (Juízes 6:15).

Como Deus poderia escolher alguém totalmente desconhecido para uma batalha tão importante? Além da escolha improvável, Ele colocou em prática a sua lógica de cálculos. Gideão, apavorado com a missão, agiu rápido e reuniu 32.000 soldados. Quando Deus viu aquela multidão, disse a Gideão: “Muito é o povo que está contigo, para eu dar aos midianitas em sua mão” (Juízes 7:2). Para diminuir o contingente, a ordem divina foi: “Quem for medroso e tímido, volte, e retire-se apressadamente das montanhas de Gileade. Então, voltaram do povo vinte e dois mil, e dez mil ficaram” (Juízes 7:3).

Imagine a cara de Gideão. Ele havia reunido 32.000 homens; Deus subtraiu 22.000 e restaram 10.000. Não satisfeito, o Senhor subtraiu pela segunda vez, de forma que restaram apenas 300 soldados. Ou seja, em uma conta simples, Deus mandou dispensar 31.700 combatentes. Isso aconteceu porque, na lógica dos cálculos de Deus, menos é mais.

Enquanto para nós, reles mortais, mais soldados representariam maior probabilidade de vitória, um exército maior proporcionaria mais segurança e a superioridade numérica seria sinônimo de sucesso, o Senhor concede a vitória ao menor grupo. Ele faz isso para que fique evidente que o triunfo veio dele, e não da capacidade militar humana.

Em síntese, na lógica da matemática humana, mais é melhor, quantidade gera segurança, força produz vitória e o que conta é a capacidade e a autoconfiança. Na lógica dos cálculos de Deus, menos pode ser melhor, a dependência gera segurança e é Ele quem dá a vitória; em vez da capacidade humana, opera a graça divina, e no lugar da autoconfiança, entra a confiança em Deus. Não se perturbe com o barulho da multidão que se levanta contra você. O Senhor dos Exércitos sabe exatamente como operar a matemática a nosso favor.

 

Texto: Marcos A L Pereira

Instagram: @marcoslima.p

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