A adoração que transcende a ritualidade religiosa!
A adoração nasce de um coração
contrito que reconhece a soberania, a majestade e o domínio do único Deus, que
reina pelos séculos dos séculos. Adorar é transcender o natural e adentrar o
sobrenatural, colocando-nos em sintonia com o Senhor e retirando-nos do plano
material, humanamente controlado e limitado. Em sua essência, adorar é
despir-se de si mesmo e revestir-se do Espírito Santo para aproximar-se do
trono da graça. Em síntese, é estar face a face com o Senhor, que se revela por
meio de sua Palavra.
Por isso, a adoração não se
restringe às manifestações corporais ou atitudinais realizadas durante os
momentos de culto. Em sentido amplo, ela constitui um modo cotidiano de vida.
Não é sem motivo que, atualmente, observamos no meio evangélico mais expressões
artísticas e culturais do que manifestações de adoração como essência.
Assistimos, com frequência, a apresentações musicais e cânticos desprovidos de
profundidade espiritual, em vez de um derramar genuíno que se traduza em culto,
no qual nossos corpos sejam apresentados como sacrifício vivo, santo e
agradável a Deus, conforme Romanos 12:1.
Às vezes, reflito sobre quantos
cultos o profeta Isaías participou até chegar o dia em que viu o Senhor dos
Exércitos. Mais ainda, a experiência de adoração naquele culto foi tão profunda
e impactante que ele declarou: “Ai de mim! Estou perdido!” (Isaías 6:5). O
profeta se sentiu assim porque “vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime
trono; e as abas de suas vestes enchiam o templo” (Isaías 6:1). Sua experiência
de adoração foi pessoal e intransferível. Não basta que o ministro de louvor, a
banda ou as pessoas ao redor sintam a glória de Deus; cada pessoa precisa ter
sua própria experiência com o Senhor.
Isaías ficou atônito diante do
que ocorreu naquele dia. A glória de Deus encheu todo o templo, e a primeira
coisa que ele percebeu foi a adoração dos serafins àquele que reina
eternamente, clamando: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a
terra está cheia da sua glória” (Isaías 6:3). Mas o que essa experiência do
profeta Isaías tem a ver com a nossa adoração? Em primeiro lugar, ela nos
ensina que é necessário abandonar os rituais que nos aprisionam em uma
religiosidade vazia e superficial e buscar uma experiência autêntica que nos
faça contemplar a glória do Senhor. Não é possível continuar adorando a Deus
apoiando-se apenas na experiência de outras pessoas.
Qual é o “rei Uzias” que tem
impedido você de adorar em espírito e em verdade? É necessário remover esse
obstáculo que faz com que a pessoa entre e saia dos cultos sempre da mesma
maneira. Quando Jesus encontrou a mulher samaritana junto ao poço de Jacó, ela
carregava consigo diversas restrições religiosas, fundamentadas nas tradições
de seus antepassados: “Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou
mulher samaritana? Porque os judeus não se comunicam com os samaritanos” (João
4:9).
Ao iniciar o diálogo com Jesus, a
preocupação daquela mulher estava relacionada ao local onde se deveria adorar.
Jesus a conduziu à compreensão da verdadeira essência da adoração e declarou:
“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em
espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem” (João
4:23). A mulher samaritana estava preocupada com a ritualidade presente tanto
em sua tradição religiosa quanto na tradição dos judeus. No entanto, Jesus
demonstrou que a verdadeira adoração não está condicionada a sistemas
religiosos ou a práticas meramente externas, mas ao relacionamento sincero com
Deus.
Por fim, não foi necessário
apresentar um manual detalhado sobre como deve portar-se aquele que deseja
expressar uma adoração aceitável ao Senhor. Jesus sintetizou essa verdade em
duas expressões: em espírito e em verdade.
Isso implica entrega absoluta e sinceridade transparente diante de Deus. Mesmo
no século XXI, o Senhor continua procurando adoradores que o adorem dessa
maneira.
Texto:
Marcos A L Pereira
Instagram:
@marcoslima.p
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