Um bezerro de ouro na sala!

 

Diante das pressões, dos problemas e das frustrações do dia a dia, muitas vezes somos levados a nos apegar a qualquer coisa que se apresente como uma tábua de salvação para a nossa situação. Nesse sentido, somos muito parecidos com alguém que cai de um barco em alto-mar ou quando um navio está afundando. Imediatamente, lança-se mão dos equipamentos de segurança para que todos consigam se salvar. O próprio instinto de sobrevivência nos leva a nos agarrar a qualquer recurso que nos ofereça a possibilidade de sair em segurança.

O perigo de tudo isso reside no fato de que podemos nos apegar ao primeiro bezerro de ouro que se apresente como solução para as nossas demandas. Veja o exemplo do povo de Israel no deserto. Havia dias que eles atravessavam uma região inóspita, enfrentando toda sorte de dificuldades. Calcula-se que havia uma multidão de cerca de seiscentos mil homens, sem contar as mulheres e as crianças. Em meio a toda essa realidade, Moisés disse ao seu irmão Arão: “Vou ali ao monte falar com Deus e já volto”.

Mas sabe qual foi o problema? Moisés permaneceu no monte durante quarenta dias e quarenta noites. Quem está vivendo uma situação angustiante não consegue esperar nem um minuto; quanto mais quarenta dias. Invariavelmente, o ser humano, em circunstâncias assim, busca a solução mais rápida e se apega a ela. E foi exatamente isso que aconteceu. O povo encontrou um caminho aparentemente viável para a crise e fez a seguinte proposta a Arão: “Faze-nos deuses que vão adiante de nós, porque, quanto a este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu” (Êxodo 32:1).

Em outras palavras, eles estavam dizendo a Arão: “Moisés está fora de cena; faça algo que o substitua”. Então, Arão teve a ideia de recolher os brincos do povo e, com eles, fez um bezerro de ouro. Eu não sei você, mas fico imaginando de que maneira um bezerro de ouro poderia ajudar naquela circunstância. Mais do que isso, ao contemplar o bezerro pronto diante de si, o povo se apegou tanto a ele que exclamou com entusiasmo: “Ó Israel, estes são os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito!” (Êxodo 32:4). Em outras palavras, eles estavam afirmando: “Agora não nos falta mais nada. Temos diante de nós a representação material de um deus que irá à nossa frente. Quanto aos nossos problemas, estão resolvidos. Eis a solução que encontramos”.

Em suma, nos momentos de desespero, é necessário acalmar a alma e aquietar o coração, para que não construamos bezerros de ouro e os coloquemos no centro da nossa vida, e acatemos como solução viável e imediata. Em situações que parecem um “beco sem saída”, a atitude correta é aquela indicada pelo salmista: “Levantarei os meus olhos para os montes; de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra” (Salmos 121:1-2). Por isso, levante os seus olhos em busca de socorro, porque ele só pode vir do Senhor, o criador dos céus e da terra.

 

Texto: Marcos A L Pereira

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