Somos de Deus, e isso basta!

 

Saber de onde somos e para onde estamos indo é muito importante, mas há algo que faz ainda mais diferença: saber de quem somos.

Quando nascemos, nosso primeiro documento é a certidão de nascimento. Nesse documento constam todas as informações importantes sobre aquele novo ser que acabou de chegar ao mundo: o nome dos pais, a data de nascimento, a naturalidade, a nacionalidade, os avós e assim por diante. São informações que levaremos conosco por toda a vida.

Qualquer documento que viermos a emitir posteriormente terá como base os dados registrados em nossa certidão de nascimento. E isso faz toda a diferença ao longo da vida. Se o escrivão, por descuido, ou os pais, por negligência, fornecerem alguma informação incorreta, nossa identificação ficará comprometida.

Do ponto de vista espiritual, também é fundamental termos essa identificação. Ao olhar para nós, Deus sabe exatamente as condições em que nos encontrou e a forma como trabalhou para nos aproximar dEle. O diabo também faz questão de manter esses dados em seu centro de informações. Porém, mais importante do que Deus e o inimigo saberem quem somos, é que nós mesmos tenhamos plena consciência da posição que ocupamos no mundo espiritual.

Você já parou para pensar qual é a sua identidade do ponto de vista espiritual? Que tipo de certidão existe no céu em relação a você? O apóstolo João, escrevendo aos crentes, fez questão de deixar clara a nossa identidade ao declarar: “Filhinhos, sois de Deus e já os tendes vencido, porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo” (1 João 4:4).

O primeiro dado apresentado pelo apóstolo é que “somos de Deus”. Ou seja, carregamos em nosso DNA espiritual a nova vida que Deus soprou em nós quando o recebemos como Senhor e Salvador. Para vencer as adversidades, para ter certeza de que lado estamos e para que não reste dúvida alguma sobre o nosso senhorio, é necessário saber de quem somos. Sem essa informação, podemos ser facilmente enganados pelo inimigo. Quando as lutas se levantam contra nós, precisamos nos aproximar com confiança e ousadia do trono da graça. Mas como fazer isso se não conhecemos nossa identidade e não sabemos quem somos?

Não raramente, o diabo lança em nossa mente batalhas relacionadas à nossa posição no Reino de Deus. Ele promove toda essa confusão porque sabe que, quando deixamos de nos identificar com o senhorio de Cristo, somos dominados pela insegurança, pela confusão e pelo desespero. Pensando na situação vivida pelos cristãos já no primeiro século da Igreja, o apóstolo João fez questão de declarar, sem deixar qualquer margem para dúvidas, a quem pertencemos.

A lógica apresentada por João é simples: quando descobrimos que somos filhos do Rei, passamos a tomar posse daquilo que pertence ao Rei. Por isso, ele continua seu raciocínio afirmando: “e já os tendes vencido”. O apóstolo compreendia que, quando o filho se identifica com o Pai, ele toma posse de tudo aquilo que o Pai já conquistou em seu favor. Jesus, na cruz do Calvário, venceu todos os nossos inimigos, inclusive a morte.

O tempo verbal utilizado nessa passagem expressa uma ação já concluída: “já os tendes vencido”. Fico imaginando o quanto Deus se entristece ao observar que, muitas vezes, somos derrotados por aquilo que Ele já venceu e que, por consequência, nós também já vencemos. É urgente, para a nossa sobrevivência como servos do Senhor, que tomemos posse da nossa posição e que tenhamos consciência de quem somos e a quem pertencemos. Precisamos ler a nossa certidão espiritual: “sois de Deus”.

E toda vitória em nossa vida se resume a uma razão extraordinária: “porque maior é o que está em vós”. Essa declaração possui uma profundidade imensurável. João está dizendo que o próprio Deus habita em nós por meio do Espírito Santo. Não precisamos sair à procura de Deus na religião, nos sacrifícios, nos dogmas ou em qualquer forma de misticismo humano. Ao enviar o Seu Espírito Santo à terra, Deus deu a prova definitiva de que estaria conosco todos os dias. Portanto, pare de se considerar um derrotado, um anônimo, alguém sem valor ou sem esperança. Você é de Deus. Você já é um vencedor. O próprio Deus habita em você. O que mais poderia lhe faltar?

 

Texto: Marcos A L Pereira

 

Comentários