Senhor, ensina-nos a orar!
A convivência dos discípulos com
Jesus foi relativamente breve, cerca de três anos e meio. Por isso, não havia
tempo a perder. Era necessário extrair do Mestre ensinamentos, orientações e
instrumentos essenciais para a vida cristã, bem como assimilar diretrizes
fundamentais para a propagação do evangelho por Ele inaugurado. Nesse convívio,
cotidiano e intenso, tornavam-se evidentes atitudes das quais o Mestre não
abria mão, o que naturalmente chamava a atenção dos doze.
Imagine conviver com alguém que
possui profundo domínio sobre determinado assunto, cujo conhecimento pode
significar a diferença entre o sucesso e o fracasso. Evidentemente, toda a
atenção se voltaria para o que essa pessoa faz. Jesus não apenas caminhava com
os discípulos; Ele era a expressão viva daquilo que deveria continuar após a
sua morte.
Entre as diversas lições
aprendidas ao longo dessa caminhada, os discípulos observaram uma prática
constante na vida do Mestre. Não importava se Ele estava diante de uma grande
multidão, no monte ou em uma simples casa: sempre se retirava para orar. Essa
atitude não passou despercebida pelos doze. O raciocínio era simples: se o
próprio Mestre necessitava orar, quanto mais os homens comuns.
A partir desse entendimento, tornou-se
claro para aqueles homens que a oração se constituía como um dos recursos mais
poderosos na proclamação do Messias após a sua morte. Assim, com interesse e
humildade, rogaram a Jesus: “Senhor, ensina-nos a orar [...]” (Lucas 11:1). Tal
solicitação também se relacionava ao fato de que os discípulos de João já
praticavam a oração, o que reforçava a compreensão de que orar não era uma
prerrogativa exclusiva de figuras como João Batista ou do próprio Jesus.
Esse pedido dos discípulos
permite concluir que a iniciativa de orar é plenamente acessível a todos que
dela necessitam. Ainda no século XXI, há pessoas que acreditam precisar
recorrer a líderes religiosos, como apóstolos, bispos, pastores ou
intercessores, para que suas orações sejam atendidas. Não há impedimento em
solicitar auxílio em oração; contudo, é fundamental compreender que ela não é
uma prática restrita a determinados indivíduos, mas um exercício disponível a
todos, “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos
alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno”
(Hebreus 4:16).
Antes mesmo de responder ao
pedido, os discípulos o justificaram, dizendo: “[...] como também João ensinou
aos seus discípulos” (Lucas 11:1). Em outros termos, apresentavam um
precedente: os discípulos de João já haviam sido instruídos a orar. Isso revela
um desejo sincero de acesso direto ao Pai, elemento central na prática da
oração. Não é necessário recorrer a formalismos, linguagem rebuscada ou
estruturas retóricas elaboradas. A exigência fundamental da oração é a
sinceridade: abrir o coração diante de Deus.
Você já orou hoje?
Texto:
Marcos A L Pereira
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