Olhai para as aves do céu!

 

Você já teve a experiência de observar uma revoada de pássaros no início da manhã? Primeiro, chama a atenção a disposição incrível com que eles despertam. Saem fazendo o maior barulho do mundo. Cantam, gritam, fazem malabarismos no ar e seguem em direção ao seu banquete de café da manhã. Ao contrário de muitos de nós, que já acordamos de mau humor porque dormimos mal ou porque temos a sensação de que aquele dia será um verdadeiro caos. É o patrão explorador que teremos pela frente, o colega de trabalho que se encosta e não faz nada. Em síntese, o simples fato de o dia ter começado já parece motivo suficiente para a insatisfação.

O que nos chama a atenção nessas aves é a forma como sabem exatamente onde buscar o seu alimento e como parecem ter certeza de que não passarão fome. Saem felizes e contentes, confiando apenas que Aquele que as alimentou e cuidou delas nos dias anteriores estará lá, mais uma vez, pronto para suprir todas as suas necessidades. E o segredo dessa tranquilidade diante do sustento está no fato de que elas não precisam de muito para sobreviver. Basta o alimento da manhã, do meio do dia e do final da tarde, e está tudo bem.

Foi observando esse movimento das aves que Jesus nos mandou aprender com elas: “Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?” (Mateus 6:26). Perceba que a primeira ordem do Senhor nesse texto foi: “olhai para as aves do céu”. Isso significa, entre outras coisas, que um simples animal, como uma ave, tem uma lição valiosa a ensinar a nós, seres humanos, que tantas vezes nos consideramos os mais inteligentes da criação.

E qual é essa lição? As aves não estão preocupadas em se tornar grandes fazendeiras, estocar alimentos, adquirir enormes colheitadeiras ou desmatar quilômetros de mata. Não existe uma competição entre elas para saber qual se alimenta melhor, qual frequenta os melhores restaurantes ou qual possui o cardápio mais sofisticado. Elas não precisam demonstrar status social por meio da comida, da aparência ou do modo de vida. Todas seguem o mesmo ritual todas as manhãs.

Então, por que não aprendemos com as aves? Porque a concorrência para ser o melhor entre todos se tornou fundamental para nós. Queremos nos destacar, ser vistos, notados e admirados. Sentimo-nos bem quando as pessoas copiam o nosso modo de vida. E, principalmente, que tentem imitá-lo, mas nunca consigam alcançar o mesmo patamar, porque gostamos da exclusividade. O carro precisa ser o mais caro e o mais personalizado possível. A casa tem que ser a maior, a mais bonita e a mais desejada, ocupar a maior área e, de preferência, ter a melhor vista.

Não é sem motivo que estamos constantemente cansados, ansiosos, frustrados e, muitas vezes, deprimidos. Acordamos de mau humor dia após dia, porque a lição das aves do céu já não faz sentido para a nossa geração. E, no entanto, seria muito mais simples viver como elas. Afinal, mesmo não semeando nem armazenando provisões para o ano inteiro, Jesus garantiu que o Pai celestial as alimenta.

E, para mostrar como frequentemente vivemos na contramão da vontade de Deus, Jesus perguntou àqueles que estavam preocupados com o que fariam de suas vidas: “Não tendes vós muito mais valor do que elas?”. Você vale mais do que uma ave que voa pelos céus? Se a sua resposta for sim, saiba que todo desespero para alcançar ou controlar qualquer coisa é desnecessário. Deus cuida de nós a cada manhã.

 

Texto: Marcos A L Pereira

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