Terra do Esquecimento!

 

Lutamos intensamente para não sermos esquecidos; seja por parentes, amigos ou por aqueles que, em algum momento, nos admiraram e nos consideraram importantes em suas vidas. Essa necessidade de sermos vistos, reconhecidos e lembrados intensificou-se ainda mais na era da rede mundial de computadores. As redes sociais transformaram-se em um verdadeiro espelho da autoestima, ainda que, muitas vezes, sustentem apenas uma ilusão de notoriedade, efêmera e passageira.

Mesmo tendo consciência dessa realidade, somos constantemente impelidos pela necessidade de estar em evidência diante dos outros. O esquecimento, ou o ostracismo, passa a ser percebido como sinônimo de uma vida não plenamente vivida. Rejeitamos a solidão, ainda que saibamos que o reconhecimento da multidão frequentemente se limita ao afago do ego, sem qualquer aprofundamento nas relações interpessoais mais significativas.

Nesse contexto, a história de Mefibosete, neto do rei Saul e filho de Jônatas, torna-se particularmente emblemática. Imagine um jovem que nasceu com a expectativa de ser príncipe, herdeiro da linhagem real de Israel, mas que foi lançado ao exílio em uma localidade chamada Lo-Debar, cujo significado remete a um lugar árido, de esquecimento, pobreza e isolamento. Aquele que deveria habitar em um palácio encontrava-se relegado a um ambiente de extrema precariedade.

Quantas vezes alguém já não se levantou questionando o sentido da própria existência, por não se sentir relevante para ninguém? Em termos simbólicos, trata-se de experimentar o próprio “Lo-Debar”, um lugar de invisibilidade e abandono. Contudo, em determinado momento, Deus moveu o coração de Davi, levando-o a indagar: “Há ainda alguém que tenha ficado da casa de Saul, para que eu lhe faça benevolência por amor de Jônatas?” (2 Samuel 9:1).

É notável a forma como Deus opera. Quem se lembraria do neto de um rei já deposto, ainda mais sendo ele coxo? Entretanto, o coração de Davi foi sensibilizado. Ele desejava saber acerca dos descendentes de Saul, apesar de todos os conflitos vividos anteriormente. Tal movimento revela que não era apenas uma iniciativa humana: o próprio Deus estava conduzindo a restauração e fazendo justiça a um descendente daquela linhagem.

Diante disso, não há motivo para inquietação quando parece que se está sendo esquecido. Deus não se esquece de nenhum de seus filhos. Ainda que, por um tempo, alguém se encontre em um “lugar árido”, marcado pela escassez e pelo anonimato, é certo que, no momento oportuno, Deus suscitará lembrança e reconhecimento. Não importa se outros avançaram antes, ou se pessoas consideradas menos capacitadas alcançaram posições de destaque. A razão é clara: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais” (Jeremias 29:11).

 

Texto: Marcos A L Pereira

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