Lembra-te de onde caíste?

 

Uma das maiores tragédias que pode acontecer na vida de quem serve a Deus é a ruptura no relacionamento com Ele. Mesmo que seja apenas uma pequena fissura, a comunhão se abala. É como um pai que vai viajar para um lugar distante e, ao se despedir do filho, sente um vazio e uma saudade no peito antes mesmo de iniciar a viagem. Isso ocorre porque existe um vínculo íntimo entre ambos. Mesmo que a distância seja momentânea, a sensação é de falta e de incompletude.

Quando caímos em nossa vida espiritual em algum momento da caminhada, sentimos exatamente isso. Ainda que seja uma pequena rachadura nos laços que nos ligam a Deus, o sentimento que nos assola é de distanciamento. Sentimos que o Pai está longe. A Bíblia está repleta de homens e mulheres que caíram, mas que expressaram de forma visceral a necessidade de se reaproximar do Senhor.

Um dos exemplos mais marcantes é o do rei Davi. Após cometer adultério e homicídio, ele continuou conduzindo sua vida e seu reino como se nada tivesse acontecido, até o dia em que foi confrontado pelo profeta Natã. Após a advertência, Davi caiu em si e iniciou uma peregrinação de volta aos caminhos do Senhor, suplicando por perdão e pelo retorno ao aconchego dos braços do Pai.

O Salmo 51 é a confissão aberta de Davi acerca da terrível condição em que ele se encontrava. Nesse texto, ele se descreve como um homem impuro, pecador e desprovido de alegria. Por isso, vai direto ao ponto e suplica: “Não me lances fora da tua presença, nem retires de mim o teu Espírito Santo” (Salmos 51:11). Em outras palavras, o rei implorava por uma nova oportunidade e pela misericórdia divina, mesmo diante do grave pecado que havia cometido.

É relativamente comum encontrarmos pessoas profundamente tristes, deslocadas no mundo em que vivem, sem perceber que sua vida espiritual sofreu uma mudança radical e que nada foi feito para retornar ao estado anterior. Muitas vezes, os problemas que nos desorientam na existência estão relacionados a essa fissura na comunhão com Deus. Foi isso que Davi percebeu ao declarar: “Torna a dar-me a alegria da tua salvação” (Salmos 51:12).

Deus não se surpreende quando caímos, pois Ele conhece a nossa estrutura. O que torna um pequeno distanciamento em uma situação permanente e perigosa é a ausência de reconhecimento e de arrependimento. Primeiro, é necessário reconhecer a queda, ou seja, admitir que há um problema a ser resolvido com Deus. Em seguida, é preciso arrepender-se. Foi exatamente isso que o Espírito Santo advertiu ao anjo da igreja em Éfeso: “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e pratica as primeiras obras; se não, em breve virei a ti e removerei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas” (Apocalipse 2:5).

Você se lembra de onde caiu? Se há um vazio em seu espírito e uma saudade do Pai, é porque, em algum momento, você saiu da rota. A boa notícia é que é possível retornar à comunhão com o Senhor. Basta lembrar, confessar e arrepender-se. A promessa de Deus para aqueles que desejam restaurar essa comunhão é: “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã” (Isaías 1:18).

Por fim, quando retornamos ao primeiro amor, Deus passa a nos enxergar a partir desse momento de reconciliação. Veja o que Ele disse acerca de Davi após sua restauração: “Achei a Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade” (Atos 13:22). Aquele que estava distante, mas voltou, torna-se alguém segundo o coração de Deus.

 

Texto: Marcos A L Pereira

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