Como caminhar quando o destino parece incerto?
Manter um plano, um propósito ou
uma visão pode até parecer fácil quando não se tem o vento da indecisão
soprando em todas as direções. No início de qualquer jornada, somos
confrontados por inquietações e dúvidas que nos cercam, pelo simples fato de
que o caminho ainda não está aberto ou com uma direção definida. Nessa
situação, o caminhante vai abrindo o que chamamos de “picada” no meio da mata
ou do campo aberto, guiado apenas pela noção de onde deseja chegar.
No mundo de GPS em que vivemos, é
muito fácil ir a qualquer lugar, mesmo sem nunca ter estado lá. Mas imagine
guiar-se apenas pelas estrelas, pelo sol ou pelo vento: não há muita segurança.
Essa incerteza assemelha-se à caminhada dos dois discípulos no caminho de
Emaús. Eles haviam presenciado o espetáculo mais grotesco da face da Terra: a
crucificação de alguém que, mais do que um líder, era o seu Mestre.
Eles esperaram três dias em
Jerusalém para presenciar a grande promessa feita por Jesus: a de que, ao
terceiro dia, Ele ressuscitaria. Entretanto, como nada parecia ter acontecido
até o final da tarde, tomaram o caminho de volta para casa. Traziam no rosto a
decepção da espera sem o resultado aguardado; no coração, restavam apenas
tristeza, temor e a sensação de estarem perdidos em um turbilhão de
sentimentos. Como caminhar sem uma trilha? Como guiar-se sem uma bússola?
O evangelista Lucas narra: “E
eis que no mesmo dia iam dois deles para uma aldeia, que distava de Jerusalém
sessenta estádios, cujo nome era Emaús” (Lucas 24:13). Ou seja, durante
longos 11 quilômetros, eles discutiam o que teria falhado nos ensinamentos do
Mestre. Até aquele momento, não aceitavam a ideia de que a palavra de Jesus
pudesse ter falhado. Assim, mais do que um trajeto físico, o rumo a Emaús
tornou-se o caminho da indecisão. Imagino-os questionando o que fariam no dia
seguinte: como encarar parentes e amigos que viam Jesus como um falso profeta?
Nunca é fácil encarar um longo
percurso sem saber o que nos espera no final. Muitas vezes paramos e aguardamos
as coisas clarearem para continuar, pois não conseguimos discernir a direção
correta. A exemplo dos discípulos, não há erro em sentir-se indeciso em certos
trechos da vida.
Entretanto, mesmo diante da
dúvida, é preciso manter os olhos abertos e o espírito atento. Quando menos
esperamos, podemos encontrar aquele que faz toda a diferença na jornada. Os
discípulos só perceberam que Jesus estivera com eles o tempo todo ao chegarem
em casa. E qual foi a surpresa? Durante o trajeto, seus corações já haviam sido
tocados: “E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso
coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras?”
(Lucas 24:32).
Talvez, no meio da sua indecisão,
seu coração já tenha queimado várias vezes, mas você continua obstinado,
caminhando sem firmeza. Pare, respire e escute o Espírito Santo. Ele sempre nos
acompanha e, quando menos esperamos, acende um alerta dentro de nós.
Texto:
Marcos A L Pereira
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