Cinco palavras que mudaram uma história!

 

Algumas pessoas tentam se impor falando mais alto do que as outras. Outras recorrem a “contatos” com pessoas poderosas e influentes para exigir respeito. Há ainda aquelas que apelam para a famosa “carteirada”, a fim de intimidar quem ousa pedir explicações sobre suas atitudes. Em outras palavras, para se colocar em evidência ou conseguir o que desejam por meio do medo, utilizam todas as armas à disposição, inclusive aquelas notadamente ilegais ou imorais.

Entretanto, chama a atenção o fato de que a Bíblia apresenta um caso sui generis: alguém que conseguiu estar em evidência e provocar temor em ninguém menos que um rei. É importante frisar que, na época da monarquia, o rei detinha poder de vida e morte sobre seus súditos. Ainda assim, 1 Samuel 18:12 declara: “Temia Saul a Davi, porque o Senhor era com ele e se tinha retirado de Saul”.

Fazendo uma breve contextualização: Saul foi o primeiro rei de Israel, ungido pelo profeta Samuel. Como rei, tinha em suas mãos o poder de tomar decisões importantes e estratégicas. Era ele quem deveria impor medo. Sua posição na hierarquia social era indiscutível. Saul estava no topo, afinal, era o senhor absoluto em seus domínios. Contudo, com o passar do tempo e o desgaste do cargo, começou a se desviar dos caminhos de Deus.

No entanto, o texto destaca uma inversão surpreendente: o grande rei Saul é quem sentia medo. E não temia qualquer pessoa, do outro lado estava o jovem comandante Davi. Guardadas as devidas proporções, seria como afirmar que grandes líderes mundiais temessem um comandante iniciante que começa a se destacar em seus exércitos. Saul passou a temer Davi, mesmo sendo ele um jovem ainda em ascensão.

Diante disso, surge a pergunta: por que Saul passou a temer Davi? Davi não deu “carteirada”, até porque estava apenas no início de sua trajetória. Não utilizou contatos para pressionar o rei, tampouco cogitou destroná-lo. A resposta está no próprio texto de 1 Samuel 18:12. Sem qualquer movimento estratégico de Davi, Saul passou a temê-lo por dois motivos surpreendentes.

O primeiro motivo é que o Senhor era com Davi. Muitos pensam que o que mudou a vida de Davi foi a pedra que derrubou o gigante. Contudo, o verdadeiro segredo está revelado em 1 Samuel 18:12. Não era apenas sua habilidade; eram estas cinco palavras: “o Senhor era com ele”. Isso significa que seus passos eram direcionados e suas decisões estavam sob a orientação de Deus. Basta abrir o livro dos Salmos para encontrar as orações de um homem que se derramava em adoração. Davi pautava sua vida de tal maneira que suas ações refletiam a vontade do Senhor. Com o tempo, essa comunhão tornou-se evidente, e ninguém deixou de perceber que “o Senhor era com ele”. Essas cinco palavras faziam toda a diferença em sua trajetória.

Infelizmente, o segundo motivo revela uma tragédia comum àqueles que chegam ao topo: o Senhor havia se retirado de Saul. Quando um rei era consagrado, o óleo derramado sobre sua cabeça simbolizava a escolha divina e a capacitação pelo Espírito de Deus para governar. Naquele momento, ele não apenas era visto, mas reconhecido como alguém legitimado por Deus. Além disso, o Espírito do Senhor vinha sobre o rei como sinal de que sua liderança representava a autoridade divina.

Entretanto, Saul chegou a um ponto em que não pôde mais ocultar seu vazio espiritual. Percebeu que o cargo, por si só, não o tornava intocável. Passou a viver um dilema: o Senhor era com Davi, enquanto dele se afastava cada vez mais. E sem a aprovação de Deus, qualquer posição torna-se apenas um peso, reduzida a mero protocolo.

Em síntese, se quisermos que nossa história seja transformada, é necessário que, ao olharem para nós, as pessoas também percebam que “o Senhor é conosco”.

 

Texto: Marcos A L Pereira

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