Atitudes que curam uma geração adoecida!

 

Na época em que vivemos, parece que estamos em um laboratório experimental cujo objetivo é verificar até que ponto conseguimos sobreviver diante de tantos fatores de pressão. Nesse sentido, o adoecimento é o resultado de múltiplos processos de desgaste realizados cotidianamente, que nos fazem experimentar situações brutais em todos os âmbitos da existência: físico, social, emocional, moral e espiritual.

Este ciclo desencadeia uma série de transtornos que incidem tanto na esfera individual quanto na coletiva. Não é preciso ser especialista em comportamento humano para observar que caminhamos a passos largos para uma insanidade coletiva, caracterizada, sobretudo, pelo adoecimento da alma. Diante desse quadro, surge um paradoxo sem solução aparente, mesmo para as mentes mais brilhantes: como alcançamos tanto desenvolvimento econômico e tecnológico, mas chegamos a um ponto de prostração quase generalizada?

Ao refletir sobre esse adoecimento geracional, o texto de Mateus 8:2 parece oferecer pistas para vencer esse mal. Diz o texto: “E eis que veio um leproso e o adorou, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo”. Aquele que buscou a cura era um leproso. Naquela época, essa doença impunha um isolamento total; o enfermo era obrigado a deixar amigos e família, vivendo fora dos muros da cidade. Para se aproximar de Jesus, ele precisou de coragem para romper o isolamento imposto, sob o risco de ser apedrejado.

Essa atitude nos ensina que, para romper o adoecimento, é necessário vencer o isolamento. Onde gastamos a maior parte do nosso tempo? Frequentemente, em frente às telas de computadores e celulares. Além de viciarem, esses dispositivos nos isolam. Somos a geração com mais conexões e, simultaneamente, a mais solitária que já existiu. Nossa cura começa quando admitimos que precisamos de ajuda e saímos da "caverna" emocional para encontrar quem possa nos estender a mão. É preciso vencer o medo e encarar a multidão.

Note que o leproso não se aproximou de forma altiva; sua primeira atitude foi adorar. Ele não apresentou uma lista de exigências, mas o reconhecimento de quem Jesus era. Vivemos na cultura do imediatismo e do "eu quero", entretanto, a cura acontece quando tiramos o foco do problema e o colocamos na grandeza de Deus. Adorar é um antídoto contra o egocentrismo que gera ansiedade.

Há outra atitude impactante: "Senhor, se quiseres...". Ele não questionou o poder ("podes tornar-me limpo"), mas submeteu-se à vontade divina. Isso nos ensina que grande parte do nosso sofrimento vem da tentativa frustrada de controlar o futuro. Descansar na soberania de Deus — aceitando que Ele sabe o que é melhor — traz uma paz que nenhum remédio oferece.

Finalmente, ele não tentou esconder suas feridas; apresentou-se como estava. Era um desafio mortal entrar na cidade ainda acometido pela lepra, mas aquele homem não teve medo de expor sua vulnerabilidade. Infelizmente, vivemos em uma geração de filtros. Para ser admirado em redes sociais, o sorriso deve ser constante e as histórias devem mostrar que tudo vai bem. Entretanto, a cura só chega onde a verdade habita. Ser curado exige a coragem de ser real e expor as fragilidades diante do Mestre.


Texto: Marcos A L Pereira

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