Por onde começa o julgamento de Deus?
Ao longo dos anos, com a chamada
“modernização” e “flexibilização” do evangelho, palavras como julgamento,
inferno, arrependimento e pecado, entre outras, foram sendo excluídas do
vocabulário cristão de muitas igrejas e pregadores. A tendência atual é motivar
aqueles que chegam aos cultos; a pessoa precisa se sentir bem, sem as mensagens
de confronto que, em outros tempos, ecoavam nos púlpitos.
Em muitos lugares, contratam-se
especialistas em comportamento humano, que criam um ambiente propício para que
sensações emotivas sejam extravasadas durante a celebração. Sem falar nos
influenciadores, coach e outros profissionais especializados em mídia, tudo
para garantir a propagação, em alto nível, daquilo que foi o culto. Afinal, a
propaganda tornou-se a alma do “negócio”.
Entretanto, ainda que a
verdadeira mensagem do evangelho seja relegada a segundo plano, ou até mesmo
desapareça dos púlpitos, ela continua mais atual do que nunca e é levada muito
a sério por Deus. Por isso, ao olhar para os cristãos de sua época, que,
diga-se de passagem, já enfrentavam sofrimentos e martírios diários, o apóstolo
Pedro foi enfático ao afirmar àquela comunidade:
“Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro
começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de
Deus?” (1 Pedro 4:17).
O texto sagrado, portanto, não
deixa dúvidas de que o julgamento começa pela comunidade cristã. Esse
julgamento não se limita à condenação, mas envolve avaliação, provação e
disciplina. No contexto específico da passagem, refere-se à prova da fé. Além
disso, aponta para uma urgência e atualidade inegáveis: “porque já é tempo”. Ou
seja, o julgamento não é apenas futuro; ele é presente. Ele se inicia quando
Deus sacode os galhos da figueira e os frutos podres caem, justamente porque o
Cabeça da Igreja não pode permitir que todo o corpo sofra diante de escândalos
e de sua expropriação.
Não restam dúvidas de que, nos
últimos dias, Deus iniciou um grande julgamento no meio do seu povo. Basta
observar o que tem sido noticiado pela mídia e pelas redes sociais: pessoas
acima de qualquer suspeita sendo desmascaradas, pois pregam uma coisa e vivem
outra completamente diferente. Parece que estamos revivendo a mesma realidade
das sete igrejas da Ásia, que receberam as cartas enviadas pelo apóstolo João.
Das sete, apenas a igreja de Filadélfia permanecia em plena comunhão com o
Senhor. As outras seis viviam de aparência: preocupavam-se mais com riquezas do
que com o zelo pela Palavra, envolviam-se em práticas condenáveis, haviam
abandonado o primeiro amor e tornaram-se mornas.
O tempo de mudança e de
posicionamento é urgente. Nas palavras do apóstolo Paulo: “E isto digo,
conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa
salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” (Romanos
13:11). A hora de a Igreja abrir os olhos é hoje, é agora. Não se pode adiar
para o próximo ano, para depois da crise ou para quando tudo parecer mais calmo
e propício. Já é hora de despertarmos do sono. Pare de aplaudir aquilo que fere
o corpo de Cristo. Tenha coragem de renunciar ao próprio pecado e assumir sua
posição no Reino de Deus.
Que Deus nos ajude a vencer o
comodismo e a falta de um amor profundo pela sua Palavra e pelo seu Reino. Temo
pelo julgamento que Deus trará sobre aqueles que não obedecem ao seu evangelho.
Infelizmente, não basta frequentar a igreja como se fosse um clube social; é
necessário ser
a Igreja por onde quer que andemos. E não se engane: mais cedo ou mais tarde,
Deus inicia o seu julgamento.
Texto:
Marcos A L Pereira
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