Onde estão os que te acusam?

 

Uma das obras mais espetaculares do sacrifício de Jesus na cruz do Calvário é, sem dúvida, o perdão incondicional para todos os nossos pecados. É tremenda a afirmação do apóstolo Paulo: “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” (Colossenses 2:14). Usando a linguagem de hoje, poderíamos dizer que Jesus "deu baixa no sistema" em tudo o que era contra nós. Em outros termos, ao consultar o nosso "CPF espiritual", o inimigo não achará nada que fundamente uma cobrança.

Mas, antes de chegar ao estágio da cruz, durante o Seu ministério terreno, Jesus foi confrontado pelos religiosos sobre um caso deveras alarmante: uma mulher fora pega em flagrante adultério. Se existem níveis e gravidades de pecado, esse era considerado um dos mais abjetos. Pela lei mosaica, a sentença era clara: “Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera” (Levítico 20:10). A Lei era nua e crua: ambos deveriam morrer.

Quando tiveram a oportunidade de testar a legalidade dos atos de Jesus, trouxeram a mulher adúltera a fim de que Aquele que se apresentava como Filho de Deus pudesse confirmar a sentença já estipulada por Moisés. Na visão deles, não deveria haver julgamento; promotores e advogados não tinham espaço para se manifestar. Era algo simples e direto: a execução.

Jesus tomou uma atitude que jamais passaria pela mente daquela multidão: “Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra” (João 8:6). Eles devem ter pensado: “Jesus deve estar brincando conosco”. Como não aceitaram aquela postura, insistiram no cumprimento da Lei. Foi então que Jesus autorizou a execução, mas com uma condição: “Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela” (João 8:7). Ainda hoje, acusadores surgem aos montes apontando o erro alheio sem examinarem a si mesmos. O pecado do irmão é sempre visto como mais grave que o próprio.

Ao ver-se sozinho com a mulher, Jesus perguntou: “Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?” (João 8:10). A condição imposta por Jesus impediu o apedrejamento. E Aquele que não vê pecado que não possa perdoar, que conhece o mais profundo dos corações, disse-lhe: “Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais” (João 8:11). Naquele momento, Jesus já estabelecia uma nova realidade para a humanidade.

Se a multidão se levanta para te acusar, lembre-a de que a nossa dívida foi riscada, rasgada e paga. Jesus deu baixa completa no "sistema". A partir do momento em que aceitamos o sacrifício da cruz, nossos pecados são lançados no profundo do mar. Não tenhas medo de enfrentar os que te acusam; somente vai-te e não peques mais.

 

Texto: Marcos A L Pereira

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