Mudando de rota por conta própria!

 

A história do profeta Jonas é daquelas que, ao ouvirmos alguém narrar, nos levam a perguntar: como alguém recebe uma ordem direta de Deus e desobedece de forma tão deliberada? E se eu disser que, invariavelmente, nós agimos da mesma maneira dezenas e dezenas de vezes ao longo da vida? Não raras vezes mudamos de rota e tomamos a direção que nos parece mais apropriada para aquele momento, mesmo quando Deus já falou de várias formas e por diferentes meios. Isso acontece porque somos obstinados de coração e nos julgamos juízes capazes de decidir o nosso próprio destino.

O problema é que toda decisão traz consigo uma consequência. Isto é, para cada ação existe uma reação, uma lei básica da física que também se aplica à vida espiritual. No caso do profeta Jonas, Deus o havia enviado a Níneve por causa da urgência de anunciar uma palavra de arrependimento antes que a cidade fosse destruída. Contudo, o profeta decidiu mudar a rota por conta própria e desceu para Társis. Sua missão não era trivial, tampouco algo que pudesse ser adiado. Deus havia determinado a destruição daquela cidade, mas, como a justiça é a base do seu trono, decidiu conceder um último aviso. Ainda assim, o mensageiro escolheu outro destino.

Essa mudança de rota trouxe três consequências imediatas. Primeiro, levantou-se uma grande tempestade no mar, e o navio em que Jonas embarcara rumo a Társis, parecia que iria naufragar (Jonas 1:4). Isso nos ensina que mudar de direção sem a autorização de Deus, em vez de acalmar ou cessar a tempestade da qual estamos fugindo, apenas a intensifica. A segunda consequência foi que um grande peixe engoliu o fugitivo Jonas, e ele permaneceu três dias e três noites no ventre daquele animal. As consequências de nossas escolhas equivocadas nos aprisionam e nos lançam de um lado para outro, até que reconheçamos que não tomamos a melhor direção.

Por fim, depois de sua experiência no ventre do peixe, Jonas foi cuspido em terra seca. Era como se Deus estivesse dizendo: “Estou lhe dando mais uma oportunidade de seguir a rota correta e segura”. Após experimentar os efeitos da desobediência, Jonas seguiu para a cidade de Níneve. Embora não se sentisse confortável em cumprir sua missão em uma cidade perversa e maligna, ele compreendeu que é melhor seguir o plano de voo do Senhor. Quem insiste em criar seus próprios caminhos precisa saber que isso pode custar caro e, muitas vezes, até a própria vida.

É por isso que, em Jeremias 29:11, Deus declara: “Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que esperais”. Em outras palavras, é sempre melhor seguir o plano de Deus, pois Ele enxerga adiante, vê o nosso futuro e conhece as consequências de cada escolha. Além disso, Ele jamais traçará uma rota que nos conduza ao despenhadeiro, porque seus pensamentos a nosso respeito são de paz, e seus caminhos nos levam, ao final da jornada, à plenitude, à felicidade e à realização.

 

Texto: Marcos A L Pereira

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