Donos de tudo, senhores de nada!

 

O ser humano, em sua megalomania, tomou posse da terra e praticamente a destruiu por completo. Percebe-se que, para alcançar objetivos de lucro e riquezas sem limites; devasta florestas, queima combustíveis que comprometem a pureza do ar, entope rios e mares com lixo que a natureza levará milhares de anos para decompor, e, além de tudo isso, transforma o seu semelhante em espólio de sua própria saga de destruição.

Aqueles que fogem do campo se aglomeram em cidades cada vez mais poluídas e marcadas pela extrema pobreza. Enquanto alguns vivem em palácios e desfrutam de uma vida cheia de privilégios, em contraposição, centenas de milhares sobrevivem abaixo da linha da miséria. E, como se não bastasse toda essa desigualdade econômica e social, há ainda aqueles que se consideram donos de Deus.

E tem aqueles que se apropriam daquilo que é mais precioso ao ser humano, que é a sua alma, e o escravizam, apresentando-se como “enviados” do céu, e, portanto, detentores da verdade que conduz o homem ao seu criador. São esses que se colocam à porta: não entram e impedem que outros entrem. O apóstolo Judas os descreve como “[…] nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas; ondas impetuosas do mar, que espumam as suas próprias abominações; estrelas errantes, para as quais está eternamente reservada a negrura das trevas” (Judas 1:12–13).

Em síntese, percebe-se claramente uma inversão do que a Bíblia ensina. O salmista afirma: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” (Salmos 24:1). Deus é dono não somente da terra e do mundo em toda a sua extensão, mas, sobretudo, de todos aqueles que nele habitam. Ou seja, Ele é o Senhor de tudo que se move nos céus, na terra e no universo. Isso inclui, sem sombra de dúvidas, você e eu. Ninguém possui ou recebeu procuração para se apoderar daquilo que pertence a Deus. Na expressão do apóstolo Pedro, somos propriedade exclusiva do Senhor (1 Pedro 2:9).

Por fim, reconheçamos em Deus aquele que nos criou para a glória exclusiva do seu nome. Compreendamos que podemos nos achegar a Ele com confiança, sabendo que nossas vidas e o ar que respiramos dependem unicamente da autorização desse Deus que sustenta o mundo em suas mãos. E lembre-se: “Ele é bom o tempo todo, e em todo tempo.”

 

Texto: Marcos A L Pereira

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