A Vida que não cabe em uma Selfie!

 

O ser humano sempre amou mais a si mesmo do que a Deus, mas, nos últimos tempos, parece que essa realidade tem se intensificado ainda mais. Gostamos muito de nós mesmos; somos narcisistas no mais profundo do nosso ser. Que lugar o sagrado tem ocupado em nossas vidas? Quanto tempo gastamos nos enchendo da graça e do conhecimento de Cristo Jesus? A comunhão com Deus é desconsiderada, pois dizemos não ter tempo. Mas como assim não temos tempo? Passamos horas diante do celular e do computador e não temos tempo para ler sequer um capítulo da Bíblia?

Na verdade, somos a geração que está abusando da aparência deste mundo como se isso fosse um fim em si mesmo. Abusamos quando as coisas mais importantes das nossas vidas são exatamente o que é passageiro, o que é profano, aquilo que nada acrescenta à nossa vida espiritual. Ficamos irritados quando a internet falha, porém não temos a mesma reação quando falhamos em nossos compromissos com o Senhor. A atração que o mundo tem exercido é assustadora. Não conseguimos dar um passo sem antes consultar o que os famosos estão fazendo, ouvindo, vestindo ou comendo.

O que vale para a nossa geração é a aparência. É isso que Jesus, em seu tempo, chamou de “sepulcros caiados”: por fora, estão pintados, bem cuidados e com uma aparência maravilhosa; por dentro, porém, há podridão e mau cheiro. Somos a geração do barulho, porém sem conteúdo. A advertência do apóstolo Paulo é clara: mais cedo ou mais tarde, você descobrirá que essa aparência passa: “E os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa” (I Coríntios 7:31).

Basta olhar para os atores, cantores e tantos outros artistas famosos das décadas passadas. Onde estão agora? Muitos já não existem mais. Olhe ao seu redor e veja a quantidade de pessoas que estão perecendo simplesmente porque se apoiaram na vaidade da beleza, dos bens, da fama e dos talentos. Mesmo entre pregadores e cantores gospel que atraiam grandes multidões, e levavam milhares de pessoas ao êxtase espiritual, também saíram de cena. Muitas vezes, foram engolidos pela fama e pelo deslumbre de uma vida cheia de aplausos e vazia de Cristo.

A conclusão é que não adianta correr: o tempo passa para todos nós, independentemente da cor da pele, da classe social, do grau de instrução, ou se vivemos no Brasil ou no Japão. Não gaste seu tempo com aquilo que não trará proveito para a sua vida espiritual. Ao final de tudo, você perceberá que o que realmente valeu a pena foi o que nasceu do seu relacionamento com Deus.

Por fim, não se preocupe com aqueles que podem comprar uma máscara e colocá-la sobre a própria vida, como se tudo estivesse indo bem. O dinheiro pode comprar muitas coisas, é verdade, mas jamais poderá comprar paz de espírito. Não viva esta vida como se ela fosse a única, e coubesse em uma selfie. Existe outra, muito mais importante, na qual o conteúdo vale infinitamente mais do que a aparência. Descubra e viva a verdadeira vida. Afinal, quem escolhe o tipo de vida que quer viver, somos cada um de nós.

 

Texto: Marcos A L Pereira

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