O que fostes ver no deserto?
João Batista foi o precursor do
ministério de Jesus aqui na terra, e a sua mensagem se resumia à seguinte
frase: “Arrependei-vos,
porque está próximo o reino dos céus” (Mateus 3:2). Ou seja,
não havia um palco montado, encenações com superprodução, nem um lugar
ricamente ornamentado e organizado para receber aqueles que desejavam ouvir a
sua mensagem. O evangelista Mateus esclarece que o púlpito da pregação de João
Batista era o deserto da Judeia.
E o que se
encontra em um deserto? Sol escaldante, areia, ventos e a sensação de que, a
qualquer momento, você pode desmaiar devido ao calor excessivo. Porém, de forma
quase contraditória, Jesus, em um dado momento de uma de suas ministrações,
perguntou a respeito de João Batista: “Que fostes ver no deserto?”
(Mateus 11:7). Essa pergunta certamente aguçou os sentidos daqueles que a
ouviram, pelo simples fato de que não há muita coisa que chame a atenção em um
deserto.
Jesus queria
deixar bem claro que aqueles que saíram de suas cidades e foram até um deserto
para ouvir um homem o fizeram por causa da palavra que ele pregava. E o próprio
Jesus justifica isso dizendo: “Sim, que fostes ver? Um homem
ricamente vestido? Os que trajam ricamente estão nas casas dos reis”
(Mateus 11:8). Em outros termos, a indumentária de João também não era motivo
de atração ou especulação. Ele não vestia a última moda lançada na Judeia.
O que
precisamos refletir, a partir dessa palavra de Jesus a respeito de João
Batista, é: o que tem nos motivado a ir a um culto? Ouvir uma pregação? Cantar
alguns cânticos? Lembro-me de uma entrevista em que uma cantora gospel famosa
respondeu ao questionamento do entrevistador sobre o motivo de as igrejas
atualmente pagarem cachês elevados para pregadores e cantores participarem de
eventos. A resposta daquela cantora me fez refletir sobre a palavra que estou
compartilhando. Ela afirmou: “As igrejas pagam caro aos
artistas que têm nome porque querem visibilidade. Na verdade, cantores e
pregadores emprestam seu nome e prestígio para que o evento fique cheio de
gente. O motivo é que as pessoas vão a esses eventos por causa do nome de quem
estará lá para ministrar.”
Por isso,
faz-se urgente perguntar aos cristãos do tempo presente: o
que fostes ver no culto? O que fostes ver no congresso de
jovens, adultos ou senhoras? Infelizmente, o que atrai multidões nos dias
atuais não é o caráter nem a Palavra que está sendo pregada. O que determina o
“sucesso” de um evento é o nome do “artista” que estará presente. Sim, porque
estamos vivendo um momento espiritualmente tão desesperador que pregadores e
cantores cristãos passaram a ser chamados de “artistas”, “coach” e
“influenciadores”.
A Igreja
Cristã precisa, urgentemente, rever seus conceitos e valores. É necessário
definir quem, de fato, está nos atraindo. O que estamos indo ver nos
ajuntamentos solenes do meio cristão? Jesus foi categórico ao afirmar: “Mas,
então, que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, e muito mais do que
profeta” (Mateus 11:9). No deserto, eles haviam presenciado
muito mais do que um profeta.
Texto:
Marcos A L Pereira
Comentários
Postar um comentário