Que farei de Jesus, chamado Cristo?

 

Existem questões na vida que não são apenas importantes; elas são fundamentais para o nosso desenvolvimento, pelo simples fato de que tais decisões influenciarão o nosso presente e o nosso futuro. Não se trata, por exemplo, de decidir que roupa vestir, a marca do celular ou se a viagem das próximas férias será no Brasil ou em alguma praia paradisíaca.

Questões cruciais exigem respostas refletidas e amadurecidas. Elas não podem ser fruto de um momento de euforia ou de manipulação coletiva, pois as minhas decisões são de minha inteira responsabilidade. Infelizmente, muitas pessoas se veem em situações complicadas porque não prestaram atenção à questão que estava diante delas.

A pergunta que dá título a este texto está no evangelho de Mateus 27:22. Jesus foi colocado diante da multidão porque Pilatos, avisado por sua mulher para não se envolver no problema, transferiu a responsabilidade da decisão para a multidão eufórica que ali estava reunida. O problema é que a multidão já havia sido direcionada pelos religiosos da época sobre qual seria a "melhor" decisão. Em outros termos, o povo estava apenas externando a vontade de alguns poucos, que julgavam o que era mais adequado naquele caso. Por isso, quando Pilatos perguntou em alto e bom som: “Que farei então de Jesus, chamado Cristo?”, a turba em êxtase ecoou sem pestanejar: “Seja crucificado” (Mateus 27:22).

Cuidado: muitas vezes achamos que deixar os outros decidirem por nós é mais cômodo e deixa o nosso fardo mais leve. A história mostra que isso nem sempre é verdade, principalmente quando o que está em jogo é o nosso destino. Diante daquela massa unânime, que clamava pela crucificação de um justo, o próprio Pilatos tentou argumentar: “Mas que mal fez ele?” (Mateus 27:23). Foi inútil. A resposta continuava a mesma: “E eles mais clamavam, dizendo: Seja crucificado”.

Note que a decisão a ser tomada não era complexa. Diante deles estava um homem justo, que durante a vida só fizera o bem; do outro lado, um malfeitor. O óbvio seria que o justo fosse libertado e o criminoso condenado. Entretanto, a decisão não apenas foi ratificada, como proclamada com um entusiasmo cego quanto às consequências: “O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos” (Mateus 27:25).

E hoje, o que faremos de Jesus, chamado Cristo? Infelizmente, a constatação é que, da mesma forma que aquela multidão diante de Pilatos, a sociedade do século XXI continua se posicionando. Muitos olham para onde a maioria se dirige e a seguem sem noção do perigo. Outros têm os influencers, os coaches, os pregadores de internet e os "teólogos" de grupos de WhatsApp como o padrão para decidirem em seu lugar. Não é sem fundamento que a bíblia diz que, “[...] se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova” (Mateus 15:14)

Apesar de parecer mais tranquilo permitir que outros tomem decisões difíceis por nós, a resposta à pergunta “o que faremos de Jesus?” é particular, individual e intransferível. Sabe por quê? Porque ela sela o nosso futuro na eternidade. O que você fará de Jesus hoje, determinará o que será feito de você na eternidade.

 

Texto: Marcos A L Pereira

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