Entre o abismo e o clamor: a experiência do limite humano!

 

Nos últimos anos, o que tem debilitado as pessoas não são apenas as lutas físicas ou o enfrentamento das dificuldades pela sobrevivência. O que tem mortificado centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo é o esgotamento profundo da vida emocional. Trata-se de uma batalha silenciosa entre quem está no limite da sanidade mental e si mesmo. Muitas vezes, quem está ao redor não consegue perceber, e, em alguns momentos, sequer entender, por que alguém que parece tão bem fisicamente não tem condições de se levantar e dar um basta naquilo que lhe aprisiona a alma.

Foi noticiado recentemente o caso de uma jovem espanhola de 25 anos que não encontrava mais motivos para continuar vivendo. Após vários anos de batalha judicial de seu pai contra o pedido de eutanásia, a justiça finalmente concedeu a autorização para que sua vida fosse encerrada. Ao observar a foto da moça nos sites de notícias, via-se um semblante que, à primeira vista, não apresentava nada de incomum.

E aí reside o grande problema: as aparências não refletem, necessariamente, o peso que se carrega na alma. Somente alguém com um sofrimento interior extremo e incontornável chegaria ao limite de lutar na justiça pelo direito de colocar fim à própria vida. Muitos, desconhecendo como as lutas internas se desenrolam, questionam chocados: “Como esta moça, com tanto ainda por viver, lutou para morrer?”. A resposta é que, para ela, a vida perdera completamente o sentido. Os sons, a música, o colorido do mundo e o perfume das flores simplesmente desapareceram. Em síntese, até as relações humanas tornaram-se um fardo.

Em vez de ser motivo de alegria, a existência dessa jovem tornou-se um ato sofrível de sobrevivência. Essa história remete ao desabafo do Salmista: "Cordéis da morte me cercaram, e angústias do inferno se apoderaram de mim; encontrei aperto e tristeza" (Salmos 116:3). Isso demonstra que a experiência humana, desde os tempos primórdios, é marcada por altos e baixos. Nossa caminhada, por vezes, exala o cheiro da morte e de angústias tão profundas que parecem vir do abismo. Infelizmente, somos desafiados por encontros que nos esmagam e causam dores lancinantes na alma.

Contudo, após experienciar o caos interior, o Salmista viu uma luz no fim do túnel e percebeu que, a partir de seu clamor, Deus viria em seu socorro: “[...] fui abatido, mas ele me livrou” (Salmos 116:6). Ao final do processo de restauração operado pelo Espírito Santo, o resultado foi a cura: “[...] tu livraste a minha alma da morte, os meus olhos das lágrimas, e os meus pés da queda” (Salmos 116:8).

A ansiedade e a depressão não são "frescuras" de pessoas emocionalmente fracas. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam as doenças emocionais como as enfermidades do século. Por isso, ao se sentir vulnerável, clame ao Senhor por auxílio, mas não se envergonhe de procurar ajuda profissional. Deus utiliza diversas formas para nos dar o livramento. Lembre-se... Deus é bom em todo o tempo!

 

Texto: Marcos A L Pereira

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